Do Rio de Janeiro ao Espírito Santo: 14ª e 15ª etapas do Projeto Bike-Vela
Com quatorze pernas concluídas, alcançamos o segundo estado da jornada: o Espírito Santo. A transição aconteceu após um pedal de 87 km, saindo de Campos dos Goytacazes (RJ) até Presidente Kennedy (ES), em um trecho que mistura esforço físico, paisagens brutas e reflexões sobre o potencial da região.
Entre o Rio Paraíba do Sul e o abandono da infraestrutura
O percurso seguiu pelo lado esquerdo do Rio Paraíba do Sul até alcançar o litoral. Foram cerca de 40 km em estrada de terra, em um cenário marcado por contrastes.
De um lado, um rio com potencial logístico evidente. Do outro, milhares de hectares improdutivos. Fica a sensação de oportunidade perdida: o rio poderia ser um canal importante para o escoamento da produção agrícola local, mas hoje não cumpre esse papel.
A própria estrada reforça essa percepção. Onde hoje há terra e vegetação avançando, antes existia asfalto. A região tem capacidade de crescimento, mas carece de investimento e estrutura.
Ali já funcionou uma usina de cana-de-açúcar, hoje desativada. Um indicativo claro de que a atividade econômica já foi mais forte — e pode voltar a ser.
Paisagens, encontros e o ritmo da estrada
Mesmo com os sinais de abandono, o trajeto entrega experiências únicas.
No caminho, surgem palmeiras gigantes, ainda maiores que as de Bracuí, além de aerogeradores que aparecem no horizonte. No fim da estrada, chegamos a Gargaú, no município de São Francisco de Itabapoana (RJ).
Ali, uma pausa simples e necessária: peixe fresco em um trailer à beira da praia.
Seguimos rumo ao norte, passando por localidades como Sossego e Guaxindiba, até chegar à Barra de Itabapoana. Nesse ponto, fizemos a travessia com a ajuda de um pescador, cruzando o rio Itabapoana e finalmente entrando no Espírito Santo.
O dia terminou na Praia das Neves, em Presidente Kennedy, onde paramos para descansar.
15ª etapa: da Praia das Neves a Ubu
No dia 9 de maio, iniciamos a décima quinta perna do projeto. Mais uma jornada de 87 km, agora entre a Praia das Neves e Ubu.
O percurso alternou entre asfalto e estrada de terra, sempre acompanhando o litoral. Um trecho exigente, com muitas subidas e descidas.
O ponto mais intenso foi a passagem pela Trilha da Praia das Falésias. O caminho segue sobre as falésias, com o mar logo abaixo. Em determinado ponto, parte da trilha havia sido levada pela ação do mar. Sem alternativa, foi preciso seguir com atenção redobrada.
Litoral capixaba e estrutura em desenvolvimento
Ao longo do trajeto, passamos por diversas praias dos municípios de Marataízes, Itapemirim e Anchieta. Um litoral rico em paisagens, ainda pouco explorado em comparação com outras regiões.
Um destaque importante foi o terminal de pesca de Itapemirim. A estrutura está pronta, aguardando inauguração. Quando entrar em funcionamento, deve facilitar a logística da pesca local, contribuindo para a economia da região.
Ubu: história no ponto final do dia
Encerramos a etapa em Ubu, um local que carrega um significado histórico. Foi ali que o corpo do Padre Anchieta caiu durante o trajeto em que era levado para sepultamento em Vitória.
O nome “Ubu”, inclusive, vem do tupi e significa “cair”.
O que essa etapa mostra
Essa parte da jornada deixa claro que o caminho não é feito apenas de quilômetros.
É feito de decisões, leitura de cenário e adaptação constante. Entre trechos esquecidos, paisagens fortes e histórias locais, o Projeto Bike-Vela segue avançando — um estado de cada vez.






