Uma jornada inesquecível entre falésias, dunas, vento e liberdade
Foram dias pedalando pelo Ceará, atravessando praias paradisíacas, falésias gigantes, vilas de pescadores, dunas intermináveis e algumas das paisagens mais bonitas que já vi sobre duas rodas.
Saí de Tibau, no Rio Grande do Norte, e segui pedalando até chegar em Jericoacoara, um dos destinos mais famosos do Brasil.
Mas como sempre digo: no cicloturismo, o mais importante não é apenas chegar.
É viver o caminho.

Tibau
30 de abril de 2026
Décima segunda perna, Tibau à Canoa Quebrada, 82 Km.

A saída de Tibau já trouxe aquela sensação clássica de recomeço.
O vento soprava forte vindo do oceano, o céu estava aberto e a paisagem começava a mudar conforme eu me aproximava do litoral cearense.
A entrada no Ceará foi especial. As cores ficaram mais intensas. As falésias começaram a surgir. E o cenário ganhou aquela identidade única que faz o litoral cearense ser tão famoso.
Depois de 82 quilômetros pedalando, cheguei em Canoa Quebrada.
E a chegada impressiona.

Canoa Quebrada
01 de maio de 2026
Décima terceira perna, Canoa Quebrada à Morro Branco, 85 km.
Canoa Quebrada é um dos lugares mais emblemáticos do Ceará. As falésias avermelhadas, o mar azul intenso, as dunas e o símbolo da lua e estrela estampado nas falésias criam um cenário inesquecível.
A famosa Broadway, principal rua da vila, traz uma mistura interessante de rusticidade, turismo e energia praiana.

Mas o que mais me marcou foi observar o mar lá do alto das falésias depois de um dia inteiro pedalando.
Uma sensação difícil de explicar.
Morro Branco
02 de maio de 2026
Décima quarta perna, Morro Branco a Fortaleza, 86 km.

O pedal até Morro Branco foi um daqueles dias em que o visual parecia mudar o tempo inteiro.
As falésias continuavam dominando boa parte da paisagem, criando um contraste incrível entre os tons avermelhados da areia e o azul do oceano.
O vento constante fazia parte da viagem o tempo inteiro.
Às vezes ajudava. Às vezes castigava. Mas isso faz parte do cicloturismo.
Morro Branco surgiu diante dos olhos como mais um espetáculo natural do Ceará.
A região é famosa pelas falésias coloridas e principalmente pelo Labirinto de Falésias, uma formação natural impressionante esculpida pela ação do vento e da chuva ao longo de milhares de anos.
Caminhar por ali depois de tantas horas pedalando foi uma experiência única.
Parecia outro planeta.
Fortaleza
03 de maio de 2026
Décima quinta perna, Fortaleza à Cumbuco, 35 km.

O trecho até Fortaleza trouxe uma mudança interessante de cenário.
Aos poucos, as áreas mais isoladas do litoral deram espaço para regiões urbanas mais movimentadas.
Mesmo assim, o mar continuava presente praticamente o tempo inteiro.
Pedalar chegando em Fortaleza tem uma energia diferente.
A capital cearense mistura praia, vida urbana, turismo e cultura de uma maneira muito própria.
A Beira-Mar impressiona pelo movimento constante, pelos coqueiros e pela imensidão do oceano acompanhando a cidade.
Depois de tantos quilômetros pedalando por áreas mais tranquilas, chegar em uma cidade grande novamente causou aquele contraste típico das expedições longas.
Fortaleza pulsa.
Cumbuco
04 de maio de 2026
Décima sexta perna, Cumbuco a Paracuru, 61 km.

O trecho até Cumbuco foi mais curto, mas extremamente marcante.
Cumbuco é praticamente um paraíso para quem gosta de vento, esportes náuticos e dunas.
A região é conhecida mundialmente pelo kitesurf, justamente por causa dos ventos fortes e constantes.
E eu senti isso na pele durante boa parte do trajeto.
Pedalar ali exigia esforço, mas ao mesmo tempo o visual compensava absolutamente tudo.
As dunas gigantes, os coqueirais e o clima descontraído da vila fazem Cumbuco ter uma energia muito especial.
Mais um Membro na equipe, que pegou avião e pousou em Fortaleza, agora o time tem: Leonel, Cássio e eu.
Primeiro dia de pedalada do trio. A bike do Cássio quebrou a corrente e a bike do Leonel teve o pino do pneu rompido, tudo aconteceu para que o pedal fosse de apenas e tão somente 35 km, fazendo a gente parar em Cumbuco. E o que ocorreu é só olhar as fotos- magia pura.

Paracuru
04 de maio de 2026
Décima sétima perna, Paracuru a Flecheiras, 93 km.

O litoral oeste cearense começou a revelar uma sequência impressionante de praias praticamente intocadas.
A estrada seguia cercada por mar, areia, vento e pequenas comunidades litorâneas.
Paracuru apareceu como mais um daqueles lugares que parecem ter parado no tempo.
A cidade é muito conhecida pelas praias tranquilas, pelas piscinas naturais na maré baixa e pelo pôr do sol espetacular.
Depois de mais um dia pedalando, parar para observar o mar em silêncio virou quase um ritual da viagem.
Na segunda-feira, 4 de maio de 2026, saímos de Cumbuco sentido Paracuru, pedalamos na praia até ás 14:00. Nós passamos por debaixo da ponte de acesso ao porto de Pecém. Ali foram feitas diversas fotos. E depois, com a maré subindo, fomos para ruas feitas de piçarras e asfalto. Chegamos em Paracuru as 17:00 h.
A maré teve seu ponto mais alto as 5:55 hs , em Cumbuco/CE, ou seja, a partir desse momento começou a baixar. O melhor horário para iniciar o pedal sobre a areia é por volta das 9:00 hs.

Com a lua minguante ocorre o fenômeno da maré morta, a diferença entre a maré alta e a maré baixa é menor, ela não sobe muito e não baixa muito. Com a maré baixa a tendência é que se tenha uma areia mais compactada e com isso se torna possível a pedalada.
Na areia requer mais esforço, mas o cenário sempre é mágico!
Flecheiras
05 de maio de 2026
Décima sétima perna, Paracuru a Flecheiras, 93 km.

Esse foi um dos dias mais exigentes fisicamente.
Foram 93 quilômetros pedalando sob vento constante e calor intenso.
Mas o Ceará tem uma capacidade impressionante de recompensar qualquer esforço.
A chegada em Flecheiras trouxe aquela sensação imediata de tranquilidade.
A pequena vila de pescadores encanta pelo clima simples, pelas ruas de areia, pelos coqueiros e pelo mar calmo.
Flecheiras parece feita para desacelerar.
O Rio Salgado
O Rio Salgado é um dos principais afluentes do Rio Jaguaribe, nascendo na Chapada do Araripe (Crato) e percorrendo cerca de 308 km. A “comunidade” no contexto da obra refere-se a quem vive no entorno deste rio e nos novos canais.

Teve um trecho que marcou: a passagem pela Comunidade do Salgado. Foi ali que cruzamos o rio — e do outro lado já começou o desafio de verdade: dunas e áreas alagadas.
Quando finalmente alcançamos a praia rumo a Flecheiras, a maré ainda estava alta. Resultado? Mais 3 km empurrando a bike, na raça.
Icaraí
06 de maio de 2026
Décima oitava perna, Flexeiras a Icaraí, 74 km.

O litoral seguia entregando cenários cada vez mais impressionantes.
No caminho até Icaraí, o visual alternava entre praias praticamente desertas, dunas gigantes e áreas preservadas.
O vento continuava sendo um personagem fixo da viagem.
Àquela altura da expedição, o corpo já estava completamente adaptado ao ritmo diário do pedal.
A mente também.
Tudo fluía.
Cruz
07 de maio de 2026
Décima nona perna, Icaraí a Cruz 72 km.

O pedal até Cruz trouxe aquela sensação de expectativa crescente.
A proximidade de Jericoacoara começava a mudar o ambiente, o fluxo de turistas e até a energia da estrada.
As paisagens ficaram ainda mais impressionantes.
Dunas enormes, áreas alagadas, lagoas e ventos fortíssimos transformavam cada quilômetro em uma experiência visual incrível.
Jericoacoara- ponto de chegada
08 de maio de 2026
Vigésima perna, Cruz a Jericoacoara, 73 km.

Chegar em Jericoacoara pedalando foi emocionante.
Depois de tantos dias encarando vento, calor, areia e estrada, finalmente avistei um dos destinos mais famosos do litoral brasileiro.
Jeri tem algo diferente.
As ruas de areia, as dunas, o mar cristalino e o clima desconectado do mundo fazem o lugar parecer quase surreal.
A Pedra Furada, principal cartão-postal da região, impressiona pela beleza natural.
A Duna do Pôr do Sol entrega um espetáculo que realmente faz jus à fama.
E o Farol de Jericoacoara oferece uma das vistas mais bonitas de toda a região.
Mas, para mim, o mais especial foi chegar ali de bicicleta.
Cada quilômetro percorrido tornou aquela chegada muito mais intensa.
O Ceará visto da bicicleta

Pedalar pelo litoral cearense foi uma experiência transformadora.
O Ceará tem vento forte, calor intenso e trechos desafiadores.
Mas também entrega algumas das paisagens mais bonitas do Brasil.
As falésias. As dunas. As lagoas. Os coqueirais. As vilas de pescadores. O mar infinito. Tudo parece feito para quem gosta de aventura.
Conclusão
Entre Tibau e Jericoacoara, vivi dias intensos, cansativos e absolutamente inesquecíveis.
O cicloturismo tem essa capacidade única de transformar paisagens em memórias e esforço em realização.
Cada trecho pedalado pelo Ceará reforçou algo que sempre carrego comigo:
A liberdade não está no destino.
Ela está no caminho.






